Quanto Mais Facebook, Piores Serão os Sentimentos

Artigo original por Holly B. Shakya e Nicholas A. Christakis
em 10 de abril de 2017 na Harvard Business Review

Um novo e rigoroso estudo confirma: quanto mais você usa o Facebook, pior se sente



Um usuário de Facebook gasta, em média, uma hora por dia no site, de acordo com as informações do próprio Facebook no último ano. Uma pesquisa da Deloitte com vários usuários de smartphones comprovam que os aplicativos de redes sociais são os primeiros a serem abertos de manhã - até mesmo antes de deixar a cama. Claro, a interação social é saudável e necessária como parte da existência humana. Milhares de estudos concluíram que a maioria dos seres humanos prosperam quando tem relacionamentos fortes e positivos com outros seres humanos.

O desafio é que a maior parte da interação social no "mundo real", em redes pessoalmente construídas, são um contraste com os relacionamentos online cada vez mais comuns. Então, enquanto sabemos que as redes sociais construídas pessoalmente são saudáveis, o que dizer das interações sociais que são construídas inteiramente através de uma tela? Quando você acorda de manhã e clica o ícone azul, qual o impacto sobre você?

Pesquisas tem mostrado que o uso das redes sociais podem deteriorar relacionamentos pessoais, reduzir o investimento em atividades significativas, aumentar o comportamento sedentário durante o uso das tecnologias e baixar a autoestima através de comparações sociais desfavoráveis. A autocomparação pode ser uma influência muito forte no comportamento humano, e como as pessoas geralmente mostram os aspectos positivos de suas vidas nas redes sociais, é possível que um indivíduo acredite que sua vida é negativa se comparada com o que vê da vida dos outros. Alguns aspectos do bem-estar são reduzidos conforme o uso de redes sociais. Porém, é bom ressaltar que outros estudos mostram que mídias sociais tem um impacto positivo no bem-estar das pessoas quando melhoram o suporte social e reforçam relacionamentos que acontecem no mundo real.

Nossa pesquisa foi realizada com 5.208 adultos de diferentes idades, gêneros e características como usuário do Facebook. Os estudos mostram que enquanto interações sociais no mundo real foram positivamente associadas ao bem-estar, o uso do Facebook foi negativamente associado. Estes resultados foram particularmente fortes para a saúde mental: quanto mais utilização de Facebook durante um ano, maior a chance de transtorno mental no ano seguinte. Entendemos que quanto mais curtidas no conteúdo de outras pessoas e pelos tipos de links que são procurados, podemos prever significativamente uma redução na saúde física, saúde mental e satisfação com a vida.

Estes resultados também podem ser relevantes para outras formas de mídias sociais. Enquanto algumas plataformas expõem os usuários a perfis polidos, outros oferecem uma comparação negativa, e isso acontece em vários tipos de plataformas. Quanto ao uso obsessivo das redes sociais, a questão é que muita gente usa as redes com a impressão de que estão se engajando em interações sociais relevantes. Nossos resultados mostram que a natureza e qualidade destas conexões não são substitutas das interações no mundo real que tanto necessitamos para uma vida saudável.

Este post é um resumo do artigo em inglês que você pode ler clicando aqui.

Holly B. Shakya é professora assistente da Saúde Pública Gloval na Universidade da Califórnia em San Diego. Especializou-se em análise de redes sociais e teoria das normas sociais. Atualmente, é uma das fundadoras de um projeto para entender as redes sociais e normas sociais determinantes para a fertilidade de adolescentes.

Nicholas A. Christakis dirige o Laboratório de Natureza Humana na Universidade de Yale e é co-diretor do Instituto Yale de Ciências Sociais. Também é professor de Ciência Social e Natural e faz parte dos departamentos de Sociologia, Medicina, Ecologia, Bioengenharia e Biologia Evolucionária na Universidade de Yale.

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