Sem Dinheiro ou Garantias


"São Pedro e São João Curam um Homem Coxo", de Nicolas Poussin - 1655 - Museu Metropolitano de Arte de Nova York

O livro dos Atos dos Apóstolos transborda exemplos importantes sobre a Igreja da época. Nestas dezenas de histórias, temos ações positivas e negativas que nos ajudam a entender os princípios dos primeiros cristãos, bem como aplicações à Igreja de hoje. No capítulo 3, há exemplo cativante da cura de um aleijado que pedia esmolas junto a um dos portões do templo. É o panorama de como Pedro e João agiam num dia comum. Percebi três coisas:

1. Eles seguiram com suas vidas (v. 1)
Pedro e João tinham o costume de ir ao templo dos judeus para orar todos os dias, às 15h00. Depois do Pentecostes, do batismo de 3.000 pessoas e de todo aquele rebuliço, o que aconteceu? Nada demais. Eles continuaram fazendo o que faziam antes, mas agora sob o poder do Espírito Santo. Não foi necessário gravar um álbum gospel ou abrir um novo templo.

2. Eles viram além dos demais (v. 5)
Era só mais um aleijado pedindo esmolas. Para piorar, Pedro e João estavam duros, igual a gente no fim do mês. O homem esperava dinheiro, mas eles poderiam fazer mais. Eles contavam com um poder extraordinário e foram usados para que Jesus fosse glorificado na vida daquele homem.

3. Eles serviram de apoio (v. 7)
Não foi só uma oração, foi também um serviço. Pedro segurou a mão do homem até que ele tivesse força em suas pernas. A Igreja não é somente a voz que clama no deserto, mas é também a mão estendida que levanta o coxo e o segura até que ele possa andar por conta própria.

O resultado foi espantoso, mas poderia ser diferente. Talvez o aleijado fosse correndo para sua casa, ou procurar um emprego. Talvez ele fosse ingrato. A ação de Pedro e João não tinha a garantia de crescimento, de difusão ou de espetáculo. Sem dinheiro ou garantias, os discípulos fizeram tudo aquilo porque sabiam que aquela era sua nova vocação.

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